Crises Místicas e Colapsos Sociais download
"Seitas satânicas vendariam património cultural"
por Licínio Lima DN-online
Roubam arte sacra das igrejas para realizar cultos satânicos. Polícia Judiciária acusa autoridades eclesiais de descuidarem património
“As igrejas estão a ser assaltadas por seitas que usam em rituais satânicos o material furtado - peças de arte sacra e hóstias consagradas. A acção desses grupos, visível em todo o País, está concentrada, sobretudo, no Baixo Alentejo. Um responsável da diocese de Beja afirma que as autoridades estão a ter dificuldades em controlar o fenómeno. A responsável pelo Museu da Polícia Judiciária (PJ) considera que a Igreja não dá prioridade à defesa do seu património.” (notícia)
Portugal, sempre foi um país onde por baixo do pano se esconde muita coisa. Poderei mesmo dizer que é um país com duas faces devido à dualidade do nosso povo. Desde sempre a maioria dos portugueses foram e são católicos e muitos praticantes. “Um responsável da diocese de Beja afirma que as autoridades estão a ter dificuldades em controlar o fenómeno” dos assaltos “por seitas que usam em rituais satânicos o material furtado”. Bom, como disse anteriormente, o nosso povo católico não se furta à missa ao domingo, a um funeral, baptizado ou a um casamento religioso. Porém, é mais que sabido que muitas das pessoas que frequentam a igreja, também não deixam de fazer uma visitinha às cartomantes, aos bruxos ou recorrerem a umas rézinhas quando a vida não lhes corre de feição (estou a relembrar particularmente um livro intitulado Medicina Popular Tradicional, religião, superstições na cultura Ribacudana). Aí reside as duas faces da moeda, a crença em Deus e a crença no diabo, tal qual perdido no meio da ponte sem saber para onde ir. Se a igreja milenar crê em Deus, e isto é o seu dogma de fé, também não deixa de acreditar no diabo, o que leva muitos a teme-lo e até a preferi-lo, pois lá diz o velha frase “não vá o diabo tecê-la”, já que o diabo é mau, vamos mas é para o lado dele, não vá o dito cujo "lixar-nos" a vida e Deus sendo bom não nos vai por certo prejudicar.
Quanta ignorância, e sobre tudo quanto medo pelo desconhecido, quando o desconhecido é mais que conhecido ou não seja a perturbação económica e mesmo mental, muitas vezes provocada pelas carências várias ou por todo o tipo de drogas (legais e ilegais) e também o envolvimento a nível esotérico com outras culturas, podem levar o homem a caminhos insondáveis e perturbadores.
(Azoth)
"Esse fenómeno do satanismo é muito complicado. Normalmente é muito rígido, ou seja, leva a destruições muito pesadas, feitas propositadamente para deixarem marcas profundas", explicou ao DN José António Falcão, director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.
Esse tipo de ritos "passam, por exemplo, por mutilação ou incineração de imagens religiosas: cortando as orelhas, o nariz ou as mãos, pegando-lhes fogo. Passa também acções de fogo posto em monumentos religiosos. Temos vários casos em que isso tem acontecido. Por vezes assume outras manifestações, como, por exemplo, pintadas com sprays em altares, pinturas em obras de arte preciosas", acrescentou ainda José António Falcão.”(notícia)
Incrível, em pleno século XXI, na velha Europa, continuamos quase tão bárbaros como os bárbaros que invadiam a península ibérica há séculos atrás. Devíamos ser uma sociedade culta, informada e futurista mas não, continuamos retrógrados, pelos que atrás se descreve e por muitos outros motivos. As igrejas como valor arquitectónico e de fé, as imagens como obras de arte, são bens que só por si merecem todo o respeito, independentemente de se acreditar ou não no que representam.
(Azoth)
"Tudo isto acontece em igrejas do baixo Alentejo que o responsável não quis identificar. Segundo explicou, o fenómeno iniciou-se nos anos dois mil, com a viragem do milénio. Nessa altura, o fenómeno era esperado tendo em conta o aumento de movimentos esotéricos registado em todo o mundo. Porém, eram os cemitérios os alvos preferidos das seitas. Hoje são as igrejas. Está aumentar o fenómeno das "missas negras", regista ainda o director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja. “(notícia)
“Tudo isto acontece em igrejas do baixo Alentejo” poderei aqui acrescentar a frase retirada do texto da notícia.
Mas que grande novidade… Ao que tenho lido, o baixo Alentejo possuí um grande índice de abandono escolar, suicídios, problemas de todo o tipo incluído, e falta de trabalho o que leva a graves problemas económicos e sociais. O fenómeno é este e mais nenhum. Todas as religiões e crenças são esotéricas, quer se acredite no bem ou no mal, o problemas é que pessoas que não estão com vidas minimamente equilibradas têm uma maior tendência para o mal. Já não acreditam no bem. É o mal que elas melhor conhecem, o mal estar, o mal viver, o mal sobreviver. O bem há muito lhes fugiu por entre os dedos. A falta de conhecimentos, de cultura e até de pão faz o resto. Não é um fenómeno dos anos dois mil “com a viragem do milénio” como foi dito na notícia, e nem sequer é fenómeno é sim uma chamada de atenção para os problemas sociais onde muitos vivem em grande estilo e impunemente, fazendo todo o tipo de vigarices e compadrios sem castigo e outros lutam desesperadamente para poder sobreviver condignamente. O mal, esse, já está há muito com quem pratica estes actos de selvajaria nas igrejas, por este motivo tem atitudes e actos incoerentes e bárbaros. A falta de um caminho aberto ao futuro faz o resto, basta ver em que zonas do mundo, de populações empobrecidas, as seitas mais bizarras têm as suas raízes, os países africanos a América latina são um bom exemplo. A igreja católica, com todas as suas virtudes e defeitos e como um símbolo de poder económico continua muito distante dos que realmente precisam.(Azoth)
Ao reflectir sobre esta notícia procuro analisar racional e friamente uma realidade que muitos consideram tabu e que outros estão bem longe de perceber.
Azoth