
“O homem bondoso faz bem à sua, própria alma” Sábio Rei Salomão
Sara terminara mais um dia de aulas e sentia-se cansada. Aconchegou ao pescoço o cachecol de lã, para melhor se proteger do frio de Dezembro.
Suspirou, teria de fazer novamente a pé a distância longa que a separava de casa. Era parca a mesada que recebia dos tios e, muito faziam eles por ela desde que seu pai falecera.
Apressou o passo, pensando de que afinal não era assim tão mau ter que caminhar os quarenta e cinco minutos do trajecto, sempre podia “namorar “ os sapatos de verniz azul que vira e pelos quais se apaixonara na montra de uma sapataria da rua de Stª Catarina. Talvez os pudesse comprar nos saldos...
Um dos caderno, teimosamente, escorregou-lhe das mãos e caiu ao chão. Sara abaixou-se para o apanhar e, bem perto dele, quase a roçar-lhe as folhas manuscritas, uma nota de cinco euros amachucada como um pedaço inútil de papel velho, jazia entre as pedras gastas da calçada. Apanhou a nota olhando para os lados à procura do respectivo dono e não viu ninguém por perto.
Cinco euros alí, caídos do céu! Já podia apanhar o autocarro para fugir do frio. Pensando melhor, iriam antes engrossar a sua poupança para a compra dos sapatos. Ficou feliz, aos poucos porém a sua consciência de pessoa nobre a indagava: será que quem os perdeu precisava mais deles do que eu? Naquele momento a sua alegria momentânea passou a preocupação. Sara tinha um coração bom. Conhecia as dificuldades da vida e por este motivo sabia dar valor ao sofrimento alheio. As dificuldades engrandeceram-na. Pena que não fosse assim com toda a gente…
Lá estava a sapataria, sob a montra sentado numa manta, um velho pedinte estendia a mão. Sara olhou-o longamente e sem hesitar tirou do porta-moedas a nota amachucada estendendo-a ao mendigo.
A sua preocupação desapareceu imediatamente, o peso que sentia transformou-se em Paz. Caminhou calmamente pela rua acima em direcção a casa sentindo-se leve, leve, leve.
Sara! Sara! Gritou a condutora de um carro que parara a seu lado.
Vou para casa, queres boleia?
Sara entrou no automóvel da antiga colega de escola.
Rita era uma jovem de classe média. Sempre vivera sem dificuldades e desde sempre fora amiga de Sara.
As duas tagarelaram alegremente pelo caminho.
Já à porta de casa, Rita estendeu um saco a Sara.
Toma é para ti. Sei que o teu aniversário é para o próximo mês, mas ficam já entregues.
Sara abriu o saco e as lágrimas saltaram-lhe dos olhos ao ver o brilho do verniz azul dos sapatos azuis da sapataria da rua da Stª Catarina.
Seja feliz
Azoth
A boa acção retorna sempre carregada de benefício é esta a Lei do Bem. “O homem bondoso faz bem à sua, própria alma” Sábio Rei Salomão
quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Recortes de bondade em folhas de papel branco
Vídeo ao fundo do texto Alanis Morissette
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2 Pegaram no Lápis e escreveram que...:
Ao meu querer!
Dias noites, estações esquecidas
Inventei sonhos para sonhar
Lavei mágoas, dores perdidas
Uma árvore toca as águas da lagoa
O nevoeiro faz desenhos nas cumeeiras
Um Melro negro solta um pio ao acaso
A palavra quero-te diz-se de mil maneiras
Convido-te a ver a Cor da Claridade
No sublime te li...
Doce beijo
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